Filipe Estrela: Afinal por que preciso de um Plano Financeiro?

Olá! O meu nome é Filipe Estrela e sou Acceleration Manager na Fábrica de Startups. Durante os programas de ideação e de aceleração da Fábrica de Startups, ouço muitas vezes os empreendedores dizerem: “Não tenho tempo para pensar no Plano Financeiro!” ou “A minha ideia é ótima e a realidade vai ser diferente!”.

Não duvido que as suas ideias sejam espetaculares. Aliás, eu sei que eles estão focados em validar a proposta de valor, em procurar os clientes certos e perceber quais as melhores estratégias de marketing. Tudo isto é importante. Ainda assim, têm de arranjar tempo para pensar nos números do negócio!

Como dizia Bill Hewlett, Co-fundador da Hewlett Packard, “you cannot manage what you cannot measure... and what gets measured gets done”.

© Ana Oliveira, Fábrica de Startups

© Ana Oliveira, Fábrica de Startups

Mas, o que é exatamente um Plano Financeiro?

É o processo de organização, quantificação e consolidação das várias dimensões do negócio e que vai ajudar na tomada de decisões. Os empreendedores têm de definir como entra e sai o dinheiro, qual o valor das vendas nos próximos 3 anos, quais os custos e os investimentos necessários para iniciar um negócio.

E de onde vem o dinheiro para financiar esse arranque? Os empregados precisam de salários, computadores e de um espaço para trabalhar. No início ainda não há muitas vendas, mas já existem imensos custos (problemas de liquidez)! Tipicamente, os empreendedores vão precisar de dinheiro por dois motivos: investimento inicial e/ou liquidez!

E por que motivo é importante ter um Plano Financeiro, perguntam vocês? O Plano Financeiro ajuda os empreendedores a definir objetivos e, dependendo da maturidade do negócio, é útil por três razões principais:

  1. Planear para “garantir” o sucesso e reduzir a incerteza que existe no início de qualquer negócio. Se a realidade vai ser igual a este plano? Claro que não! Mas se já tivermos pensado no negócio de forma mais concreta, vamos ter menos surpresas e menos desvios, logo a probabilidade do sucesso aumenta!

  2. Analisar a viabilidade do negócio e testar vários cenários. Por exemplo, é útil saber até onde se pode baixar o preço e a quantidade de forma a continuar a ter um negócio rentável. Estas análises e os vários rácios financeiros vão também ajudar a tomar decisões sobre a estrutura de custos. Assim, deve ser dinâmico e interativo, de forma a que possa rapidamente ajustar as variáveis mais importantes, como os preços, quantidades, investimentos, impostos....

  3. Angariar dinheiro e apresentar o projeto aos investidores. Quando chega o momento de tomar decisões, todos os empreendedores querem saber quanto vale o seu negócio. Sem contas e estimativas de vendas e custos é muito mais complicado manter uma conversa realista e convencer alguém a investir.

É este o mundo dos empreendedores, cheio de dilemas.

O meu conselho: sejam realistas, mas nunca deixem de sonhar!

Texto escrito por:

Filipe Estrela, Acceleration Manager na Fábrica de Startups