Patrícia Cabido: SOCORROOOO... Vamos de férias!

Regressada da silly season e com a pressão de, em 2 dias, entregar o texto para a nossa rubrica “We are On”, optei falar num tema óbvio, porque é aquele que mais me distingue de entre todos os meus colegas (leia-se amigos), aqui na Fábrica de Startups.

O meu nome é Patrícia e sou a única Mãe aqui na Fábrica (RESPECT!). Mas atenção, mãe de rapazes (RESPECT a dobrar!)… Três rapazes (1 minuto de silêncio por favor). Obrigada.

A época das férias dos miúdos é a altura mais caótica do ano para mim. E, para cúmulo dos azares, este ano tive cada filho numa escola diferente e essa complexidade multiplica-se por vários dígitos nesta altura do ano. É que, para além de 3 paragens em 3 escolas diferentes de manhã (logo para abrir a pestana), existe toda uma panóplia de passeios, logística e festas do final do ano (karaté, música, hip-hop, ginástica, etc.) a multiplicar por três!!! Conseguem imaginar? As minhas manhãs parecem a prova olímpica de estafetas, 1.600m barreiras.

© Ana Oliveira, Fábrica de Startups

© Ana Oliveira, Fábrica de Startups

Depois, ainda na escola, mas já nas atividades de verão, vêm os passeios… Se num dia um deles vai ao Portugal dos Pequenitos e tem de levar almoço picnic, 2 lanches, a t-shirt e o boné da escola e, ainda, chegar a tempo de apanhar o autocarro, o segundo tem de se levantar antes do sol nascer para ir para a praia (sempre num lugar remoto e longínquo praticamente do outro lado do mundo) e já levar de casa 3 camadas de protetor solar, snacks na mochila, chapéu, água, toalha e, já agora, o fato de banho! Por fim o terceiro, que pode ficar (se tudo correr bem) na escola ou, para complicar, ter também uma ida ao teatro ou ao cinema e ter de levar 10€ num envelope.

Cansados? Eu também. Cada manhã é uma prova meio fundo, 3.000m com obstáculos.

Não esquecer que todas as manhãs, sem exceção, há sempre um deles que não quer acordar e insiste em ficar, já vestido e calçado, a dormir em pé junto à cama (tenho fotos para provar e para o envergonhar quando for mais velho). O mais novo faz gazeta aos sapatos, ténis e tudo o que seja de meter nos pés e, portanto, vai sempre descalço até entrar na escola. E, finalmente, o mais velho que demora aproximadamente uma eternidade a beber um copo de leite e a comer uma torrada, antes de sairmos de casa. Um cenário idílico portanto, bem ao estilo família Von Trapp. Só que não.

Depois deste período, seguem-se então as tão aguardadas férias em família: todos juntos! MA-RA-VI-LHA! Aquelas semanas repletas de momentos felizes: praia até tarde, bolas de berlim e gelados em doses industriais, jantaradas com amigos… Enfim, os dias são mais longos e (quase) sem horários para nada.

Estava tudo bem, até ao momento em que, sem a mais pequena razão, este cenário idílico passa numa fracção de segundos a dantesco com altos índices de testosterona e força bruta mortífera. Num instante conseguem passar de pequenas criaturas angelicais (praticamente capa daquelas revistas-para-mães-modernas-com-filhos-cheios-de-pinta, sabem?) para pequenos gremlins alienígenas verdes e viscosos com dentes afiados a babar raiva em espuma e a pegarem-se à pancada, dentada, estalada e puxões de cabelo, que me dá vontade de, em certos momentos, fazer de conta que não é nada comigo.

Ninguém merece.

Não estava, nem estou, ainda, preparada para isto. Quero de volta os meus meninos de coro, aka pequenos escuteiros-mirins!

A maternidade é, de facto, uma montanha russa, daquelas à séria, cheias de descidas vertiginosas e loopings em série, mas que ao mesmo tempo dá todo o sentido àquela frase:

“Ser mãe, é pensar em fugir e, no plano de fuga incluir os filhos, que eram o motivo da fuga”.

Fernanda Miranda

 

Gostei muito deste bocadinho. A sério que gostei. Por quê? Estou no meu gabinete, aqui em Santo Amaro de Oeiras, com vista para o mar, confortável, em silêncio e sozinha a escrever este texto e a pensar numa coisa, que nunca pensei vir a pensar na vida: que bom que é o regresso ao trabalho!

(Pausa) Respirar fundo. Agradecer. A vida é boa.

Texto escrito por:

Patrícia Cabido, Operations Manager na Fábrica de Startups