Investigação Made in Portugal. De Viana do Castelo até ao Chile

Raquel Gaião Silva foi a primeira portuguesa a ganhar o prémio Jovens Investigadores do Global Biodiversity Information Facility e vence agora a 5ª edição da Global Youth Video Competition, com um vídeo sobre a Ocean Alive. Em dezembro vai estar presente na Conferência das Partes (COP25), no Chile, para falar sobre este projeto.

© Raquel Gaião Silva

© Raquel Gaião Silva

A Bióloga Marinha Raquel Gaião Silva é a grande vencedora da categoria Cities and Local Action to Combat Climate Changeda 5ª edição da Global Youth Video Competition, concurso organizado no âmbito da Cimeira do Clima da ONU, que se realizou no passado dia 23 de setembro, em Nova Iorque.

Raquel venceu este concurso com um vídeo sobre a Ocean Alive, a primeira cooperativa em Portugal dedicada à proteção do oceano, e o trabalho que esta desenvolve em torno da conservação das pradarias marinhas do estuário do Sado. Em dezembro vai estar presente na Conferência das Partes (COP25), no Chile, para falar sobre este projeto e ajudar na cobertura jornalística do evento.

A Bióloga Marinha conta que quando viu o concurso pensou logo na Ocean Alive e decidiu desafiar-se a si própria: “já tinha feito outros vídeos, mas nunca um de sensibilização e achei que era giro desafiar-me e ver o que é que acontecia”. Para além disso, percebeu que esta era também uma boa oportunidade para falar sobre as pradarias marinhas, “que muito pouca gente conhece”. Raquel explica que estas “florestas” são “tão ou mais importantes” do que as florestas terrestres, pois para além de serem o habitat de muitas espécies que conhecemos, como o choco, “as pradarias marinhas são também muito importantes para a fixação do carbono que existe em excesso”.

Então, aproveitou o programa Ocean Alive Camp Summer, que se realizou em julho, para recolher imagens e documentar o trabalho desenvolvido por esta cooperativa. Depois foi só submeter o vídeo.

A Bióloga Marinha diz que “isto é um orgulho, porque selecionaram um projeto de Portugal, no meio de 400 de todo o mundo”. “Significa que acham que este projeto tem mesmo muito potencial”, acrescenta. O vídeo sobre a Ocean Alive conta, hoje, com mais de 100 mil visualizações.

Mas, esta não é a primeira vez que Raquel vence um concurso. Em 2018, ganhou o prémio Jovens Investigadores, atribuído pela Global Biodiversity Information Facility (GBIF), com um trabalho sobre o impacto das alterações climáticas na distribuição de macroalgas na costa Atlântica da Península Ibérica.

Raquel partilha, ainda, que “o facto de estar a trabalhar na BLUEBIO ALLIANCE [parceira da Fábrica de Startups na organização do Blue Bio Value] tem muito a ver com este” seu “mindset”. A Bióloga Marinha explica que tem de sentir que está a ter algum impacto ao fazer o seu trabalho e que o Blue Bio Value é reflexo disso mesmo: “um programa de aceleração que tem como objetivo apoiar a transição de economias pouco sustentáveis, para economias mais sustentáveis”. “Nós estamos a apoiar ideias que, de alguma forma, veem solucionar problemas globais, como as alterações climáticas”, termina.